Não é meu o texto, mas eu gostei do trecho (:

... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.

Clarice Lispector.

Fast Poetry

Dalton lançou o desafio. Eu topei. Em dez minutos tenho que escrever um conto e no meio dele, tem que aparecer um pedaço de uma música. Escolhi 'Como vai você?' do Roberto Carlos, já que estamos em clima de comemoração pelos 50 anos dele e porque, eu não fui ao show :s (:
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Carta a você
Havia faltado luz, mas nem percebi. Meus pensamentos estavam em outra pessoa. Nele pra ser mais exata, e em tudo que havia se passado no decorrer destes anos que nos separaram. Vaguei pelas recordações que insistiam em aparecer e, por estar tão aérea, por vezes sentia sua mão entrelaçando a minha.
Num choque de realidade, despertei. Foi quando percebi que viajei tão longe, que nem havia notado a ausência da luz. Acendi uma vela e, ao colocá-la na escrivaninha da sala de estar, notei um bloco de papel de carta antigo. 'E se eu escrevesse pra ele? Será que ele iria ler?'. Na verdade queria falar. Falar tudo aquilo que havia guardado aqui dentro durante todos esses anos. Falar que não, não sinto falta, mas me pego todos os dias invadida pela curiosidade sobre os fatos que lhe ocorrem atualmente. Falar que aquelas palavras foram um divisor de águas pra mim. Falar que eu já não tenho o amor de antes, mas que ainda tenho dúvidas sobre o que teria sido de nós.
Não, eu não falaria nada disso se o encontrasse. Teria pouco tempo pra tanto. Não daria o gosto de me ver vulnerável a tanto. Me calo. Mentira! Eu escrevo, não sei me calar. Escrevo porque sei que nunca vai ler e que assim posso estar vulnerável. Só eu vou sentir tal vulnerabilidade e ele não. [...]
'Não coloco seu nome na carta que escrevo, mas sei que é pra você que escrevo. O que eu quero com esta carta? É que 'anoiteceu e eu preciso saber...Como vai você
?'

A fera pode ser bela

'Como diz Vinicius: As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental'. Começa assim uma corrente que circula pelo orkut de vez em quando. Recebi algumas e agradeço a todo mundo que mandou, afinal, não deixa de ser um elogio. No entanto, sou obrigada a discordar. Beleza é fundamental?!
Óbvio que o belo, desperta o interesse dos olhos. Óbvio que uma boa apresentação, é sempre um atrativo. Mas é fato que, um produto feio que funcione bem, é definitivamente melhor que um bonito que não presta. Concorda comigo?
Essa história de beleza, tem a ver com ''a primeira impressão é a que fica''. Sem generalizar a situação mas, se a menina for um 'canhão', a chance dela despertar a atenção de um 'deus', é quase (veja bem, quase) zero. Entretanto se o cara passar longe de ser um deus, mas for espirituoso, auto-confiante e tiver todo um charme, as chances dele conseguir o telefone de uma Helena de Tróia, são de quase 100% (só não consegue se ela for no mínimo, muito esnobe¬).
Mas não criemos muito caso. O fato é que, beleza nunca deveria ser o fator determinante, o dito fundamental, mas sim um fator extra, que não altera o produto final. Quero dizer, se além de um bom coração e um cérebro em atividade, ele ou ela for apetecível, é lucro e ponto. Nada mais.
Talvez dessa forma as relações seriam mais duradouras. Bastava a gente ter olho de raio-x e ver o que se esconde lá dentro.
Não, isso não é papo de alguém que se contenta com o primeiro que fala oi e que está em pleno desespero, porque homens.deuses.estilo.patrick dempsey não caem do céu. É papo de quem tem certeza de que beleza não é sinônimo de conteúdo. É papo de quem prefere passar horas a fio numa boa conversa, a passar horas a fio muda, olhando pra beleza em forma de gente na minha frente, mas que nada de interessante consegue dizer. Portanto, digo que beleza é fundamental sim, mas só se for a interior. O resto, é balela.

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algo me diz que você que não sabe quem é Patrick Dempsey, vai dar um GOOGLE no nome. acertei? :b

Pronto, falei!

Por que começar isso aqui é uma pergunta que me faço sempre. Não tive paciência com fotolog, twitter, nada que mostrasse meu cotidiano e que se fizesse necessária uma atualização, por muito tempo. Mas sou persistente e cá estou. Quem sabe um blog não seja uma boa pedida?
Confesso, estou sentindo o constrangimento dos iniciantes de terapias. Aquela sensação de não saber como começar, mas ter total ciência de que não se pode dizer muito. É, não sei quais os fios da meada desenredar primeiro. Falar aleatoriamente ajudaria? Acho que não, você se perderia e não voltaria nunca mais, achando que eu sou uma completa louca que não sabe ordenar palavras.
Sabe, acho que escrever é uma das coisas mais libertadoras que há. Você se permite falar muito, falar pouco, sem que ninguém te escute, mas faz com que todo mundo te ouça. Você para de medir perfeitamente as palavras, pra dar voz aos pensamentos. E dar voz aos pensamentos, é libertar-se, afinal...você é o que ninguém vê. E seus pensamentos, são exatamente quem você é.
Me perdoe. Sei que não deveria começar mentindo, mas menti. Eu sei exatamente porque começo hoje isso aqui. A situação me serve de álibi para eu libertar tudo o que está congestionado aqui nos meus pensamentos. Mas não, não é angústia emocional, é vontade. Vontade de, sem precisar falar alto, mostrar quem sou e a que vim. Pronto, falei!

  • Espero que você goste (: