O pior negócio que você poderia fazer

Quero uma noite deitada na praia, olhando as estrelas.
Quero que uma borboleta pouse na minha mão.
Quero acordar de madrugada com vontade de comer Pringles com Tortuguita e encontrar um lugar aberto que venda os dois.
Quero ligar pra você na calada da noite, só pra dizer que tô sem sono e você não me atender com voz de sono, pq também tá sem sono.
Quero ter a facilidade de olhar pra dentro e descobrir assim, facilmente, o que é melhor pra mim.
Quero sentir o vento forte bater no rosto, enquanto eu tô sentada no teto de um carro em plena estrada.
Quero sair, sem hora pra voltar.
Quero andar de mãos dadas na praça.
Quero sair pra tomar sorvete e colocar mais confeitos que sorvete no potinho.
Quero uma praia deserta, que deixe de ser deserta, porque estamos eu e você lá.
Quero passar um dia inteiro no mar e deixar que as ondas batam em mim, como se tivessem me arrastando pra longe.
Quero poder te ter e não te ter pra ter vontade de ter mais e de novo.
Quero não saber de ninguém.
Quero saber de todo mundo.
Quero facilidades e que decidam por mim.
Quero que ninguém se meta na minha vida.
Quero estar lá e aqui.
Quero experimentar tudo antes de decidir.
Quero amarelo.
Quero um arco-íris.
Quero que você não me queira.
Quero que você me queira todo dia.
Quero tudo.
Quero nada.
Quero dizer que sou um troféu.
Quero que tenham certeza de que não sou um troféu.
Quero entender pq raios apostaram em mim.
Quero dizer que, embora eu saiba que tenho o meu valor, sou o pior e o melhor negócio que vocÊ poderia fazer.

Diálogo de um interlocutor-receptor

Ei, você. Você mesmo. Quem você pensa que é? Com autorização de quem, você resolve levantar e decidir invadir território alheio?
Ei, você. Você mesmo aí, com essa cara de quem chorou nos últimos dias e não tem idéia do que tá fazendo, mas vai fazer mesmo assim?
Ei, você. Você mesmo aí, que usa de ares blasés na grande massa e diante dos fatos, se desespera?
Ei, você. Você mesmo. Quer o que da sua vida, afinal?
Quer sair, se divertir, comprar, pular, olhar, beijar, abraçar, a mão apertar. O que você quer, afinal?
Ei, você. Aí do outro lado. O lado que ninguém vê. É,você! É com você que eu tô falando, olha pra cá e responde: tá pensando o que da vida?
Você chorou, enlouqueceu, desmoronou e levantou. Juntos as malas, bateu as portas e disse que não ia mais voltar. Você tava tão decidida, que raios agora te fez mudar de opinião?
Quem te permitiu voltar, se instalar no lugar que não é mais seu e chegar pro canto as coisas de quem tomou o seu lugar? Não, não é justo e eu não deveria deixar.
Mas como expulsar metade de mim, de dentro de mim? Quando você resolveu ir embora, eu literalmente fiquei pela metade aqui dentro. E o vazio que você deixou, eu tentei suprir da melhor forma possível. Mas justo agora, que eu tinha reorganizado a casa, você resolve voltar, dizendo que não tem pra onde ir, porque o seu lugar é aqui? Sério, tá pensando que é quem?
Eu sei disso. Eu sei que não posso te expulsar. [...]Tá vai, eu deixo você ficar. Eu sei que vai ficar tudo uma confusão aqui dentro, mas já vi que você não vai embora de novo, né? Então posso te pedir uma coisa? Tenta não fazer tanta confusão aqui dentro, porque afinal...foi você quem foi embora. Ela ficou aqui, você foi. Não tem o direito de voltar e ganhar mais espaço. Oi? Foi o melhor? Eu sei que foi o melhor você ter ido embora, pelo menos por um tempo. Mas quem você pensa que é pra voltar agora com toda essa banca?!
É...acho que esqueci por poucos momentos que você é a maior parte do meu eu.

A Pitty e o presente que surpreende

Por esses dias, após o falecimento real do meu mp4, me rendi ao rádio Fm no caminho para a faculdade. Notei que a gente escuta as mesmas músicas por semanas inteiras, mas isso não vem ao caso. Vem ao caso uma das músicas que eu ouvi.
Já escutou 'Me adora' da Pitty? Eu já tinha escutado, mas só agora resolvi escrever. Não, vão vou falar sobre a música. É que cheguei em casa com ela na cabeça e resolvi baixá-la (sim, também sou clandestina com músicas).
Não surpreendente, uma lista de músicas da Pitty surgiram na tela. Resolvi baixar várias, embora eu tivesse seus cds (aham, eu curto. E daí?). A primeira a ter o download concluído foi 'Semana que vem'. Ouvi. Parei. Pensei. Vim escrever.
Engraçado como as coisas caem nas nossas mãos como mágica e nos mostram coisas que não víamos por conta própria. Sim, era uma música conhecida por mim...mas acredito nessas coisas de destino e afins e acredito que tenha sido a primeira a concluir download porque ela deveria ser a primeira a ser ouvida. 'Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar. Não deixe nada pra semana que vem, porque semana que vem...pode nem chegar' . É exatamente isso.
Quantas vezes você deixou de dizer o que queria, ou o que precisava dizer, simplesmente achando que teria o amanhã, ou a semana que vem pra dizer? Quantos 'eu te amo' você camuflou pra não se sentir 'vulnerável demais'? Quantos abraços você recolheu por acreditar que ainda haveria o amanhã para que eles pudessem ser dados? Quantas coisas você deixou de fazer? Quantas atitudes você deixou de tomar? Quantas palavras você não disse? Quantas desculpas você não pediu?
Acreditamos piamente que haverá um amanhã pra nós. Acreditamos que jamais iremos dormir e não acordar amanhã. Afinal, somos jovens...quais as chances temos de não acordar amanhã?! Lhe digo que as mesmas de qualquer outra pessoa. Não, não somos controladores do tempo. Não controlamos nem a nós mesmos...quem dirá o tempo que rege nossas vidas. Vivemos escravos dele. Mas esquecemos que ele é finito e não sabemos até onde vai a finitude dele pra nós.
Nessa semana eu apresentei um trabalho sobre Woodstock e li uma frase pra minha turma, em que a Janis Joplin dizia que morreria mais rápido se não se preocupasse mais com o presente que com o futuro. Concordo com ela, afinal, o futuro é algo incerto. Deve-se planejar, mas deve-se de fato viver muito mais o presente.
Nessa semana que passou, eu apresentei um trabalho, cheguei atrasada na aula porque resolvi tomar um caminho diferente só pra fugir da rotina, aprendi coisas que vou levar pra minha vida toda. Nessa semana, eu descobri que de fato o futuro é incerto...e muitas vezes pode fugir ao planejado por nós...mas que não adianta chorar pelo leite que ainda há de ser derramado. Afinal, eu ainda tenho um presente pra viver.
É, eu acho que não vale muito pensar no que ainda vai vir. Deixa chegar pra gente resolver. Até lá, a gente abraça, sorri, chora, conversa, resolve, briga, diz que ama, diz que não ama mais, pula, grita, esperneia, sente raiva, se surpreende mais e outra vez com o mundo e com nós mesmos. O presente é sempre aquilo que a gente não espera e que pode mudar nosso futuro. Vai que o presente muda o meu, o seu, o nosso futuro (pra melhor!) de novo?