Retrospectiva introspectiva

Acho engraçada essa época de réveillon. Todo mundo olha pra trás, vê onde errou, onde acertou e para. Para pra fazer uma listinha do que não realizou esse ano e pretende fazer no ano que chega. Para pra colocar no papel, os planos para os doze meses seguintes. Eu sempre fiz isso.
No entanto, hoje quando peguei a minha listinha do ano passado, cheguei a conclusão de que dos meus dez itens, só realizei um: conseguir ficar na faculdade. Não viajei pra outro país, nem viajei muito pelo meu. Não parei de comer chocolate, não me controlei com doces e muito menos entrei pra academia. Não comecei uma nova língua, não li todos os livros que planejei. Fui passada pra trás. Não pulei de asa delta, nem subi o costão de Itacoatiara. Não, eu não cumpri meus planejamentos.
Tenho um sério problema com planejamentos. Sempre os faço da hora que eu acordo, até o fim do dia. Mas esse ano foi tão diferente. Fiquei bastante tempo me aproveitando e fazendo as coisas que eu gostava.
Estudei design. Fiz um cruzeiro e fiquei de madame por uma semana. Firmei compromisso. Fiz trabalho voluntário. Perdi contatos. Dei aquele nó forte, que ninguém desata em muitas amizades. Senti saudades da época que eu queria que passasse rápido. Me formei. Conheci gente nova. Fiz laços que se desamarraram. Fiz laços que a cada dia se tornam mais fortes. Ralei pra conseguir o que queria. Desfiz o compromisso com um abraço. Chorei, sorri, gargalhei, me emocionei, perdi a paciência, quebrei a cara. Levantei depois de um tombo. Andei por caminhos que não eram os meus e me perdi. Me achei. Disse 'eu te amos' seletos. Ignorei gente. Me entreguei. Me retirei quando encontrei minha hora. Fiz meu nome. Abracei oportunidades que tinham tudo pra dar errado. Acertei. Fiz julgamentos. Errei. Briguei. Fiz as pazes. Saí sem hora pra voltar. Saí com hora marcada. Encontrei ombro amigo inesperado. Fiz as malas e fui. Fiquei em dúvida. Me mantive firme. Fui fraca. Escolhi. Mudei de rumo. Me encantei. Me deslumbrei e puxaram minha orelha. Amei. Fui amada. Descobri a diferença entre amor e paixão. Encontreio cúmplices. Me desvendei. Permiti que conhecessem o que não conheciam. Fui à praia a noite ver estrelas. Pedi abraço. Rejeitei abraço. Pulei nas costas. Surpreendi as pessoas. Fui surpreendida. Fui ombro amigo. Quis bater. Quis beijar. Quis nunca mais ver. Quis saber por quê. Quis deixar. Quis procurar. Senti saudades. Fiz o que nunca achei que poderia fazer. Tive um amor platônico. Auxiliei um amor platônico. Achei que iria ter de largar a faculdade. Me joguei sem pensar duas vezes. Me descobri mais impulsiva que nunca e mais racional que nunca. Me tornei mais prática. Tive medo de perder. Corri atrás. Provei que era capaz. Aprontei. Fiz pelas costas. Pedi desculpas. Assumi meus erros e dei a cara a tapa. Tive medo e não agi. Fui infatil. Fui madura. Fui insensata e sensatíssima. Tive vergonha e não fiz. Perdi a vergonha e fiz. Dei confiança e descobri que não deveria. Não dei confiança. Dei confiança e não me arrependi. Conquistei pessoas e fui conquistada por elas. Dividi segredos. Divido segredos. Escondi o que não deveria. Magooei alguém. Fui magoada também. Ganhei bolsa na faculdade. Consegui fazer contato com quem achei que seria difícil. Cantei, dancei, escrevi, falei na cara, falei por trás, bati de frente, gritei, dormi fora de hora, me atrasei, cheguei adiantada, agarrei, tive vontades, segui desejos, mudei diversas vezes o visual. Menti, chamei pra sair.
Já disse que chorei? E que sorri? E que amadureci?
Já disse que ocorreram reviravoltas e que muita coisa não está igual ao que era no início?
Já disse que olhei muito pra dentro e sei mais do que nunca quem eu sou e o que eu quero da minha vida? E que apesar de não ter seguido meus planos, já disse que fui extremamente feliz?
Eu fui, eu tô sendo. Então, pro ano que vem, não quero parâmetros de objetivos. Quero objetivos que apareçam do nada. Quero sonhos de uma noite pra outra. Quero atos inesperados e dias mais inesperados ainda.
Esse ano começou com uma propaganda que dizia '2000inove'. Eu inovei, mudei, fiz e aconteci. E se há algum plano pra 2010, ele seria simplesmente o plano que todo mundo deveria fazer: viver. No melhor sentido do verbo.


E pra você que chegou até o final do texto, ou pra você que passou o olho e parou aqui:
Uma virada ESPETACULAR. Que a ilusão de que um novo ciclo começa de um minuto pra outro, seja real. E eu desejo que o gás que essa passagem de um minuto pro outro nos dá, seja o mesmo gás com qual você vai movimentar seus dias daqui por diante. Feliz Ano Novo! (:

Eu pontuo, tu pontuas, o amor pontua.

Você deu o primeiro passo? Nem me venha com esse papo de novo. Me atirei nos seus braços.
Seus olhares? E quanto aos meus? Te quis antes de você me querer e é um fato.
Você que tomou atitude? Ora, anda bebendo escondido? Sempre fui o macho desta relação.
Oi? A palavra final é sempre minha? Eu nunca fui mandona e nem vem dizer o contrário. Tá rindo de que?
Odeio sua risada. Tosco.
Eu sei que eu não sou perfeita. Mas chego bem mais perto que você, da perfeição!
Por que? Eu nem tenho esse jeito esquisito de falar, que atropela palavras. Sei me expressar muito bem. Esse brilho dos seus olhos que você acha legal, acho cafona. Esse seu jeito velho então...humpf, insuportável!
O que eu penso que você é? Quer mesmo saber?
Então por que me perguntou?
Quer que eu vá embora? Tem certeza disso? Se eu for, não volto mais.
Você não quer mais nada? Tá me dando um pé na bunda, é isso mesmo?
Ousadia!
Volta aqui, não me deixa falando sozinha. Tá pensando que é quem?
Ei, ei!
Só pra você saber, eu te odeio. De verdade, te odeio! E quem vai terminar com você sou EU!
[...]
From: me
To: you

Não que eu goste de ser a palavra final mas, você me perguntou o que eu penso de você...então eu lhe devia uma resposta. Eu penso que você é lindo quando atropela tudo o que diz e que eu simplesmente enlouqueço quando você gesticula porque não sabe como se expressar.
Me derreto com o brilho dos seus olhos. Passaria a vida inteira olhando pra eles se preciso. Seu jeito de velho? É o que faz minha barriga doer de tanto rir, por te ver reclamar de tudo o tempo inteiro. Sua risada? Escandalosamente gostosa de se ouvir.
Eu menti quando disse o contrário pra você. Menti também, quando disse que eu era quase perfeita. Fui sincera quando disse que você não era perfeito. Não, você não é e por favor não queira ser.
Você é cheio de defeitos que tenta esconder de mim. E eu...ah, eu sou mais que um poço de defeitos, sou um oceano deles, e faço questão de te mostrar todos os dias, pra que você aprenda a lidar com eles e me queira por perto mesmo assim.
Tá, eu sei que sou prepotente e que a última palavra tem que ser sempre minha. Eu sei que sempre quero pontuar por último. Portanto, vou fazer isso mais uma vez. Você colocou um ponto final e eu acrescentei mais um. Mas sabe, na gramática não existe '..', então eu vou colocar mais um ponto e tudo isso vira reticências, ok?
Beijos.

O Amor sempre traz consigo reticências...

O pior negócio que você poderia fazer

Quero uma noite deitada na praia, olhando as estrelas.
Quero que uma borboleta pouse na minha mão.
Quero acordar de madrugada com vontade de comer Pringles com Tortuguita e encontrar um lugar aberto que venda os dois.
Quero ligar pra você na calada da noite, só pra dizer que tô sem sono e você não me atender com voz de sono, pq também tá sem sono.
Quero ter a facilidade de olhar pra dentro e descobrir assim, facilmente, o que é melhor pra mim.
Quero sentir o vento forte bater no rosto, enquanto eu tô sentada no teto de um carro em plena estrada.
Quero sair, sem hora pra voltar.
Quero andar de mãos dadas na praça.
Quero sair pra tomar sorvete e colocar mais confeitos que sorvete no potinho.
Quero uma praia deserta, que deixe de ser deserta, porque estamos eu e você lá.
Quero passar um dia inteiro no mar e deixar que as ondas batam em mim, como se tivessem me arrastando pra longe.
Quero poder te ter e não te ter pra ter vontade de ter mais e de novo.
Quero não saber de ninguém.
Quero saber de todo mundo.
Quero facilidades e que decidam por mim.
Quero que ninguém se meta na minha vida.
Quero estar lá e aqui.
Quero experimentar tudo antes de decidir.
Quero amarelo.
Quero um arco-íris.
Quero que você não me queira.
Quero que você me queira todo dia.
Quero tudo.
Quero nada.
Quero dizer que sou um troféu.
Quero que tenham certeza de que não sou um troféu.
Quero entender pq raios apostaram em mim.
Quero dizer que, embora eu saiba que tenho o meu valor, sou o pior e o melhor negócio que vocÊ poderia fazer.

Diálogo de um interlocutor-receptor

Ei, você. Você mesmo. Quem você pensa que é? Com autorização de quem, você resolve levantar e decidir invadir território alheio?
Ei, você. Você mesmo aí, com essa cara de quem chorou nos últimos dias e não tem idéia do que tá fazendo, mas vai fazer mesmo assim?
Ei, você. Você mesmo aí, que usa de ares blasés na grande massa e diante dos fatos, se desespera?
Ei, você. Você mesmo. Quer o que da sua vida, afinal?
Quer sair, se divertir, comprar, pular, olhar, beijar, abraçar, a mão apertar. O que você quer, afinal?
Ei, você. Aí do outro lado. O lado que ninguém vê. É,você! É com você que eu tô falando, olha pra cá e responde: tá pensando o que da vida?
Você chorou, enlouqueceu, desmoronou e levantou. Juntos as malas, bateu as portas e disse que não ia mais voltar. Você tava tão decidida, que raios agora te fez mudar de opinião?
Quem te permitiu voltar, se instalar no lugar que não é mais seu e chegar pro canto as coisas de quem tomou o seu lugar? Não, não é justo e eu não deveria deixar.
Mas como expulsar metade de mim, de dentro de mim? Quando você resolveu ir embora, eu literalmente fiquei pela metade aqui dentro. E o vazio que você deixou, eu tentei suprir da melhor forma possível. Mas justo agora, que eu tinha reorganizado a casa, você resolve voltar, dizendo que não tem pra onde ir, porque o seu lugar é aqui? Sério, tá pensando que é quem?
Eu sei disso. Eu sei que não posso te expulsar. [...]Tá vai, eu deixo você ficar. Eu sei que vai ficar tudo uma confusão aqui dentro, mas já vi que você não vai embora de novo, né? Então posso te pedir uma coisa? Tenta não fazer tanta confusão aqui dentro, porque afinal...foi você quem foi embora. Ela ficou aqui, você foi. Não tem o direito de voltar e ganhar mais espaço. Oi? Foi o melhor? Eu sei que foi o melhor você ter ido embora, pelo menos por um tempo. Mas quem você pensa que é pra voltar agora com toda essa banca?!
É...acho que esqueci por poucos momentos que você é a maior parte do meu eu.

A Pitty e o presente que surpreende

Por esses dias, após o falecimento real do meu mp4, me rendi ao rádio Fm no caminho para a faculdade. Notei que a gente escuta as mesmas músicas por semanas inteiras, mas isso não vem ao caso. Vem ao caso uma das músicas que eu ouvi.
Já escutou 'Me adora' da Pitty? Eu já tinha escutado, mas só agora resolvi escrever. Não, vão vou falar sobre a música. É que cheguei em casa com ela na cabeça e resolvi baixá-la (sim, também sou clandestina com músicas).
Não surpreendente, uma lista de músicas da Pitty surgiram na tela. Resolvi baixar várias, embora eu tivesse seus cds (aham, eu curto. E daí?). A primeira a ter o download concluído foi 'Semana que vem'. Ouvi. Parei. Pensei. Vim escrever.
Engraçado como as coisas caem nas nossas mãos como mágica e nos mostram coisas que não víamos por conta própria. Sim, era uma música conhecida por mim...mas acredito nessas coisas de destino e afins e acredito que tenha sido a primeira a concluir download porque ela deveria ser a primeira a ser ouvida. 'Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar. Não deixe nada pra semana que vem, porque semana que vem...pode nem chegar' . É exatamente isso.
Quantas vezes você deixou de dizer o que queria, ou o que precisava dizer, simplesmente achando que teria o amanhã, ou a semana que vem pra dizer? Quantos 'eu te amo' você camuflou pra não se sentir 'vulnerável demais'? Quantos abraços você recolheu por acreditar que ainda haveria o amanhã para que eles pudessem ser dados? Quantas coisas você deixou de fazer? Quantas atitudes você deixou de tomar? Quantas palavras você não disse? Quantas desculpas você não pediu?
Acreditamos piamente que haverá um amanhã pra nós. Acreditamos que jamais iremos dormir e não acordar amanhã. Afinal, somos jovens...quais as chances temos de não acordar amanhã?! Lhe digo que as mesmas de qualquer outra pessoa. Não, não somos controladores do tempo. Não controlamos nem a nós mesmos...quem dirá o tempo que rege nossas vidas. Vivemos escravos dele. Mas esquecemos que ele é finito e não sabemos até onde vai a finitude dele pra nós.
Nessa semana eu apresentei um trabalho sobre Woodstock e li uma frase pra minha turma, em que a Janis Joplin dizia que morreria mais rápido se não se preocupasse mais com o presente que com o futuro. Concordo com ela, afinal, o futuro é algo incerto. Deve-se planejar, mas deve-se de fato viver muito mais o presente.
Nessa semana que passou, eu apresentei um trabalho, cheguei atrasada na aula porque resolvi tomar um caminho diferente só pra fugir da rotina, aprendi coisas que vou levar pra minha vida toda. Nessa semana, eu descobri que de fato o futuro é incerto...e muitas vezes pode fugir ao planejado por nós...mas que não adianta chorar pelo leite que ainda há de ser derramado. Afinal, eu ainda tenho um presente pra viver.
É, eu acho que não vale muito pensar no que ainda vai vir. Deixa chegar pra gente resolver. Até lá, a gente abraça, sorri, chora, conversa, resolve, briga, diz que ama, diz que não ama mais, pula, grita, esperneia, sente raiva, se surpreende mais e outra vez com o mundo e com nós mesmos. O presente é sempre aquilo que a gente não espera e que pode mudar nosso futuro. Vai que o presente muda o meu, o seu, o nosso futuro (pra melhor!) de novo?

Carta à você, Carnaval.

Olha, honestamente cansei. Cansei de todo ano você vir todo animadinho, com confete e serpentina pular ao redor de mim. Não suporto sua gandaia rotineira.
Os que gostam de você, te defendem com unhas e dentes. Dizem que 'cair na gandaia' sempre foi uma característica sua, mas que você é também bem tradicional e que o que quer na verdade, é a felicidade de todo mundo.
Sabe o que eu acho? Que você é a maior enganação de todas as enganações. Fica por pouco tempo, dá a leve sensação de que o mundo é mais colorido e, passado os três dias, tudo fica cinzento novamente. Você é uma máscara, Carnaval. É um folião cafona que acredita que o mundo é uma eterna folia. Você cultiva o desprendimento. Não, eu não quero você, Carnaval.
Você realmente acredita, que é a coisa mais perfeita que há na Terra. Desculpa ser a pessoa que lhe diz isso, mas você é cafona, Carnaval. Acha que a vida é uma folia constante. Você é um folguedo um tanto idiota eu diria, Carnaval. O que você pensa da vida?
Você nunca teve um relacionamento duradouro. Nunca veio, sem trazer problemas. Hoje em dia então, você sempre traz contigo preocupação.
Eu sei que as pessoas gostam de você, Carnaval. Eu também gostava. Até parar pra pensar duas vezes sobre você. Cansei das suas repetitivas ações, do seu 'olhar de folião', que no final das contas...só traz solidão.
Talvez eu voltasse a gostar de você, Carnaval. Mas acho que só se você me propusesse algo novo. Desde que te conheço, você não mudou nada. Nem quando anunciou que iria mudar. Você gosta das mesmas músicas, da mesma 'falsa liberdade' que sempre gostou, da mesma festa. O mundo tem outras formas de festa. Basta saber procurar.
Eu me pergunto, Carnaval, se toda essa sua alegria, é pra esconder algo que aí dentro lhe corrói. Ou se você simplesmente, é assim...um tanto tosco. Você canta pra não chorar? Seu sorriso é máscara? Você é Arlequim, que chora pelo amor de uma Colombina? Ou você é realmente assim...enganador de si mesmo?
Conheço cada vez mais pessoas que se sentem incomodadas com você por perto, Carnaval. Pessoas que fogem de suas brincadeiras, que lhe acham um tanto imbecil, que acreditam que você, é algo totalmente dispensável.
Você divide as pessoas, Carnaval. Uns vão em cima do seu carro alegórico, outros que corram atrás do seu trio. Depende da sua vontade, do que é conveniente pra você. Se você precisa do que está correndo trás do trio, você o coloca no carro alegórico. E quando não mais precisar, ele que desça novamente.
Você quer um amor por dia, tarde e noite. Você quer um amor, que não suba a serra e nem telefone no dia seguinte. Você quer rir, beber, suar. Você quer aproveitar. E quando o seu tempo passa, o que lhe resta, Carnaval? É essa sua idéia de curtir a vida, de ser livre?
Ah Carnaval, eu acho você tão inseguro. Cada ano lança uma nova propaganda, um novo tema pra seus desfiles. Tudo isso na tentativa de agradar a todos e ser 'diferente'. Você não é diferente, Carnaval. Só acha que é. Tudo muda no mundo, porque você não muda nadinha?
Falo tudo isso aqui pra você, Carnaval, porque a harmonia vem da evolução e não das alegorias. E eu precisava rodar a minha baiana, pra atravessar de vez a avenida. Evolua, Carnaval. Quem sabe assim, eu não volto a ser uma foliã sua?

Aguardo mudanças,
Beijos, até o ano que vem.

'Strip-tease'

Eles saíram pra jantar. Dali, resolveram ir para o apartamento dele. Seus nervos estavam a flor da pele. Nunca havia se sentido assim antes. Parou na porta. As mãos suadas, entregavam seu nervosismo. Seria sua primeira vez. Não a dele, mas a sua.
O esmalte vermelho, que lhe dava a superficial sensação de poder, já estava descascado nas unhas e as mesmas, roídas. Nada que a fizesse perder o controle que tinha sobre ele. Ela inflou o peito. Era agora ou nunca. Era ele, ela tinha certeza. Entrou.
Ele sabia que a tinha nas mãos. Não era diferente ter uma mulher em seu apartamento. Ele gostava dela, mas não se entregava como ela fazia. Tinha seus passos calculados, já sabia o que e como fazer. Ofereceu-lhe um drink, que ela rejeitou.
Ele perguntou se ela queria ouvir algo, ela disse não. Ele perguntou se ela queria sentar, ela educadamente dispensou. Estava nervosa demais, pra essas pequenas coisas que só aumentariam seu nervosismo. Queria ir direto ao ponto e não sabia como dizer isso.
Ele perguntou se estava tudo bem e o que poderia fazer por ela. Ela respondeu que não queria preliminares. Não, nem ela acreditou que respondeu isso, mas já o tinha feito. Ele ficou nervoso. Seus planos não funcionavam e não sabia ir direto ao ponto.Ele pensou em adiar. Já não tinha muita vontade mesmo. Podia ter quem quisesse, por que perder tempo com ela?
Ela já sabia o que ele pensava. Embora fosse inexperiente nisso, era observadora e sabia ver as pessoas através dos olhos. Pediu que ele sentasse. Ele o fez, ela começou.
Enquanto tirava a primeira peça, disse: ''Eu faço de conta que não me importo com você. Faço de conta que não te vejo, não te escuto, não te desejo, não te amo. Ignoro as coisas lindas que você diz, pra não te fazer ter segurança demais, porque tudo que é demais, estraga. Sei que você sente algo, mas não assume. Sei que você é assim. Mas você é a pessoa mais especial que conheci e agora não me importo em não ser correspondida''. Assim, deixou cair a máscara.
Depois, se despiu da arrogância: '' Achei que nunca chegaria até aqui. Roí as unhas, queria correr e não voltar. Mas você é tudo que eu vejo, é o ar que eu respiro, é as músicas que eu ouço e o deslumbramento que tenho, é com você que sinto''. A arrogância ficou espalhada no chão da sala de estar.
Desabotoando a vergonha, declarou: ''Imagino todos os dias, o dia de hoje. Eu, você e mais nada nem ninguém. Era tudo o que eu queria pra mim. Você é tudo que eu quero pra mim''.
E tirando por último o medo, ela finalizou: ''Queria dividir tudo o que tenho com você. Queria ser sua e queria que isso fosse recíproco. Queria você na minha vida. Mas sei que você não quer. Sei que você não sabe o que é amar. Sei que você não me ama, ou se ama é orgulhoso demais pra admitir. Queria que você soubesse que é amado, que tem alguém que se importa. Agora você já sabe. E agora, eu posso ir embora. Cumpri o que queria. Consegui me despir pra você. Paramos aqui. E quando você decidir o que sente...se um dia você me amar do mesmo jeito, me avise, que eu volto e daí continuamos daqui''.
E saiu, nua. Sentindo-se mais mulher do que nunca.




Adaptação do texto de Martha Medeiros.

Eu amo você (L)

Tenho certeza de que você não vai ler, mas hoje...logo hoje, não podia passar em branco. Se há alguém nesse mundo que me faça ser sempre melhor, esse alguém é você. Se há alguém no mundo que me faça ter tanta vontade de provar meu valor, esse alguém é você. Se há alguém nesse mundo que me irrita tanto, esse alguém sem dúvidas, é você.
Aquele que embora nem sempre aprove as minhas decisões, sempre faz questão de me ajudar a conseguir o que eu quero. Aquele que as vezes perde a paciência comigo, simplesmente pq as vezes, eu sou errada demais. Aquele que não importa o que me aconteça, vai estar sempre do meu lado.
Sabe, não há homem no mundo mais perfeito que você, Gordinho. E é por isso que todos os dias eu agradeço muito a Deus, por ter me dado você como pai. Te amo muito, obrigada por tudo, você sem dúvidas, é o melhor pai do mundo. Mais do que eu mereço e muito mais do que eu sonhei. Amo muito, muito, muito você meu exemplo, meu espelho. Parabéns (L)

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Feliz dia dos pais pra todos os pais :)

A saudade da última pessoa do mundo

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Sempre quis saber da onde vinha tanta emoção, tanta loucura. Nunca respeitei a sua banalidade, essa coisa de simplesmente chegar e sem você se dar conta, aquilo se findar ali dentro.
Nunca entendi porque me escravizava por uma coisa que não tinha nem pé, nem cabeça e, que não me preenchia por completo nunca. Não existe uma explicação pra tudo isso. Simplesmente não têm começo, nem meio, nem fim. Quem dirá uma solução ou um motivo pra tanto.
Por falar em sentimento, me peguei pensando...não sinto falta do seu amor. Na verdade, como eu sentiria falta de algo que nunca existiu? Pelo menos eu não sei que cara o seu amor teria, que cheiro ele teria. Não existe fim pro que nunca teve começo.
Eu sinto falta é de congelar toda vez que você aparecia de braços abertos e com um sorriso largo. Sinto falta de não saber o que dizer quando você me surpreendia. Talvez fosse a vida, me mostrando que ela é mais poderosa que as minhas concepções de certo e errado. Ou talvez a natureza, me provando quem tem o poder sobre quem.
Eu não queria sentir tanta coisa. Eu acho besteira esse papo meloso de amor! Eu não vejo porque achar tanta graça nesse jeito estranho de dançar e nas piadas fora de hora que você conta. Eu não aceitava sentir tudo isso e, mesmo assim...era inundada por uma vida quinhentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Nós éramos lindos. Você era lindo.
Engraçado eu falar sobre você. Não me lembro de ter escrito algo sobre você. Escrevi sobre o cara que odiava o Brasil, sobre o que queria todas e sobre o que se sentia superior ao mundo, mas sobre você, juro que não lembro de nada. Justo sobre você, que é responsável por tanta coisa aqui dentro.
Eu sinto falta sabia? Não do seu amor, mas de como você me protegia. Sinto falta de lembrar que você me enxergava tanto, com esses olhos de cor confusa que sempre me acalmaram, que às vezes conhecia meus defeitos melhor que eu. E como eu gostava quando você dizia que amava até eles em mim.
Sinto falta desse jeito largado que não liga se está ou não com músculos enormes ou se está ou não bem vestido, mas que faz questão de ter sempre algo novo pra contar, seja sobre o que viu, o que leu, ou seja lá o que for.
Sinto falta de ter a segurança que você dava. Sinto falta de ouvir suas loucuras, de te contar as minhas. Sinto falta de ter a certeza de que conheço tudo, incluindo o mais oculto de você e vice-versa. Não, não sinto falta só de tudo isso. Sinto falta de tudo isso, adicionado ao mistério que era amar a última pessoa do mundo, que eu amaria.
  • Eu tava loonge daqui né?! Prometo que vou ter mais frequência! :)

Não é meu o texto, mas eu gostei do trecho (:

... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.

Clarice Lispector.

Fast Poetry

Dalton lançou o desafio. Eu topei. Em dez minutos tenho que escrever um conto e no meio dele, tem que aparecer um pedaço de uma música. Escolhi 'Como vai você?' do Roberto Carlos, já que estamos em clima de comemoração pelos 50 anos dele e porque, eu não fui ao show :s (:
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Carta a você
Havia faltado luz, mas nem percebi. Meus pensamentos estavam em outra pessoa. Nele pra ser mais exata, e em tudo que havia se passado no decorrer destes anos que nos separaram. Vaguei pelas recordações que insistiam em aparecer e, por estar tão aérea, por vezes sentia sua mão entrelaçando a minha.
Num choque de realidade, despertei. Foi quando percebi que viajei tão longe, que nem havia notado a ausência da luz. Acendi uma vela e, ao colocá-la na escrivaninha da sala de estar, notei um bloco de papel de carta antigo. 'E se eu escrevesse pra ele? Será que ele iria ler?'. Na verdade queria falar. Falar tudo aquilo que havia guardado aqui dentro durante todos esses anos. Falar que não, não sinto falta, mas me pego todos os dias invadida pela curiosidade sobre os fatos que lhe ocorrem atualmente. Falar que aquelas palavras foram um divisor de águas pra mim. Falar que eu já não tenho o amor de antes, mas que ainda tenho dúvidas sobre o que teria sido de nós.
Não, eu não falaria nada disso se o encontrasse. Teria pouco tempo pra tanto. Não daria o gosto de me ver vulnerável a tanto. Me calo. Mentira! Eu escrevo, não sei me calar. Escrevo porque sei que nunca vai ler e que assim posso estar vulnerável. Só eu vou sentir tal vulnerabilidade e ele não. [...]
'Não coloco seu nome na carta que escrevo, mas sei que é pra você que escrevo. O que eu quero com esta carta? É que 'anoiteceu e eu preciso saber...Como vai você
?'

A fera pode ser bela

'Como diz Vinicius: As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental'. Começa assim uma corrente que circula pelo orkut de vez em quando. Recebi algumas e agradeço a todo mundo que mandou, afinal, não deixa de ser um elogio. No entanto, sou obrigada a discordar. Beleza é fundamental?!
Óbvio que o belo, desperta o interesse dos olhos. Óbvio que uma boa apresentação, é sempre um atrativo. Mas é fato que, um produto feio que funcione bem, é definitivamente melhor que um bonito que não presta. Concorda comigo?
Essa história de beleza, tem a ver com ''a primeira impressão é a que fica''. Sem generalizar a situação mas, se a menina for um 'canhão', a chance dela despertar a atenção de um 'deus', é quase (veja bem, quase) zero. Entretanto se o cara passar longe de ser um deus, mas for espirituoso, auto-confiante e tiver todo um charme, as chances dele conseguir o telefone de uma Helena de Tróia, são de quase 100% (só não consegue se ela for no mínimo, muito esnobe¬).
Mas não criemos muito caso. O fato é que, beleza nunca deveria ser o fator determinante, o dito fundamental, mas sim um fator extra, que não altera o produto final. Quero dizer, se além de um bom coração e um cérebro em atividade, ele ou ela for apetecível, é lucro e ponto. Nada mais.
Talvez dessa forma as relações seriam mais duradouras. Bastava a gente ter olho de raio-x e ver o que se esconde lá dentro.
Não, isso não é papo de alguém que se contenta com o primeiro que fala oi e que está em pleno desespero, porque homens.deuses.estilo.patrick dempsey não caem do céu. É papo de quem tem certeza de que beleza não é sinônimo de conteúdo. É papo de quem prefere passar horas a fio numa boa conversa, a passar horas a fio muda, olhando pra beleza em forma de gente na minha frente, mas que nada de interessante consegue dizer. Portanto, digo que beleza é fundamental sim, mas só se for a interior. O resto, é balela.

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algo me diz que você que não sabe quem é Patrick Dempsey, vai dar um GOOGLE no nome. acertei? :b

Pronto, falei!

Por que começar isso aqui é uma pergunta que me faço sempre. Não tive paciência com fotolog, twitter, nada que mostrasse meu cotidiano e que se fizesse necessária uma atualização, por muito tempo. Mas sou persistente e cá estou. Quem sabe um blog não seja uma boa pedida?
Confesso, estou sentindo o constrangimento dos iniciantes de terapias. Aquela sensação de não saber como começar, mas ter total ciência de que não se pode dizer muito. É, não sei quais os fios da meada desenredar primeiro. Falar aleatoriamente ajudaria? Acho que não, você se perderia e não voltaria nunca mais, achando que eu sou uma completa louca que não sabe ordenar palavras.
Sabe, acho que escrever é uma das coisas mais libertadoras que há. Você se permite falar muito, falar pouco, sem que ninguém te escute, mas faz com que todo mundo te ouça. Você para de medir perfeitamente as palavras, pra dar voz aos pensamentos. E dar voz aos pensamentos, é libertar-se, afinal...você é o que ninguém vê. E seus pensamentos, são exatamente quem você é.
Me perdoe. Sei que não deveria começar mentindo, mas menti. Eu sei exatamente porque começo hoje isso aqui. A situação me serve de álibi para eu libertar tudo o que está congestionado aqui nos meus pensamentos. Mas não, não é angústia emocional, é vontade. Vontade de, sem precisar falar alto, mostrar quem sou e a que vim. Pronto, falei!

  • Espero que você goste (: